segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Trienal de Arquitetura Lisboa. parte 1

Há alguns dias visitamos uma das exposições da trienal de arquitetura que está acontecendo aqui em Lisboa até janeiro. O tema desse ano é "Falemos de casa" e a mostra está espalhada por diversos museus da cidade. A parte da qual comentarei agora está no Museu de Arte Moderna e Contemporânea Coleção Berardo.


A trienal faz uma abertura aos diversos campos do saber que atravessam a questão do habitar, uma vez que pensar a casa traz a reflexão sobre a habitação do mundo contemporâneo. Aparecem opiniões desde os que pensam esse habitar e projetam as casas, até aqueles que as habitam. São debatidas soluções encontradas em diversas regiões do globo, entre a dimensão utópica da herança moderna dos Smithsons (1956) com aquilo que seria "a casa do futuro" e do SAAL - Serviço de Apoio Ambulatório Local (1976) , e a contemporaneidade, na qual diversas práticas se constroem e se definem.

A instalação "Casas para o povo" discorre mais especificamente do SAAL, movimento lançado após a Revolução por um grupo de arquitetos que respondia à luta de rua dos moradores pobres. Nesta época, defendeu-se que a classe baixa também tem direito ao centro histórico, onde o velho e o novo coexistem e onde toda a infraestrutura da cidade já está consolidada. No SAAL, os arquitetos se organizaram em brigadas técnicas que trabalhavam por zonas, de forma a apressar a construção, projetando e construindo em terrenos já disponíveis, sem necessidade de processos de expropriação, sempre lentos. Foi então uma proposta alternativa, utópica, uma nova reflexão sobre a cidade que de certa forma respondia ao movimento popular.

Além das demais abordagens da trienal dentro da Coleção Berardo, o Brasil aparece juntamente com a África e  Lisboa. Fazendo um paralelismo entre Recife, Luanda e Maputo, a exposição divide-se em 3 partes: a cidade informal/real (as favelas), a cidade formal/sitiada (os condominíos fechados, apresentados aqui como "a miséria arquitetônica e social") e a cidade moderna (mostra a riqueza das propostas modernas hoje ameaçadas pelas novas regras do capitalismo mundial que a pretendem substituir, numa lógica que despreza a sua complexidade tipológica e histórica, deixando-a degradar).

Enfim, interessante de qualquer modo a percepção de uma mostra arquitetônica fora do meu país de origem, embora eu concorde e discorde de algumas "idéias" trazidas. De qualquer forma, essa foi ainda uma parte da trienal, sendo um aspecto positivo a meu ver ela estar espalhada pela cidade, pois de certa forma leva aos interessados se integrarem e vivenciarem mais Lisboa, no percurso até cada instalação.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cúpula da OTAN e Greve Geral, Lisboa

Amanhã e sábado (dias 19 e 20) é ponto facultativo aqui em Lisboa por causa da cúpula da OTAN que estará reunida no Parque das Nações, pra decidir o futuro da OTAN. [http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=4140]
Até o Obama vem, aliás peça-chave da parada
[http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4797637-EI8142,00-Em+Lisboa+Obama+busca+mudanca+de+estrategia+no+Afeganistao.html] estão com medo de ataques terroristas por onde eles estiverem, vou ficar longe de lá, mas nem deve acontecer nada não. De qualquer forma, é algo importante pois devem sair decisões pra um futuro próximo de intervenção das forças da ONU, com as quais na verdade não concordo (a paz tão pregada pela organização não é bem vista na prática ne). A OTAN é chamada aqui de NATO. Recebi um panfleto na rua, mas só agora entendi q era isso >>> dia 20, sábado, farão uma manifestação contra a mesma. Estava pensando em ir, pelo menos para ver, mas estou receosa por conta de dar algum rolo pro meu lado.
Enfim, é isso... e dia 24, próxima quarta-feira, é a greve geral de Lisboa e outras cidades de Portugal, por conta da crise (que nunca acaba! como dizem os panfletos distribuídos por aqui). "A presidente do Conselho Mundial da Paz (CMP), a brasileira Socorro Gomes, acredita que há em todo o mundo um sentimento latente dos povos de repulsa aos tenebrosos planos de guerra do imperialismo, e que os movimentos de luta pela paz consideram que a Otan é o principal instrumento de militarização e guerra do imperialismo estadunidense e seus aliados europeus. Por este motivo, estão marcados, para esta sexta e sábado (19 e 20), protestos em Lisboa da campanha “Paz sim! Otan não!”, reunindo organizações de luta pela paz de diversos países, encabeçados pelo Conselho Português pela Paz e pela Cooperação, entidade-membro do CMP. Também participa do movimento, entre outras entidades, a maior central sindical portuguesa, a Confederação Geral de Trabalhadores de Portugal (CGTP).
Para a presidente do CMP, do ponto de vista dos povos e das nações independentes, da defesa da liberdade e da paz, anseios supremos da humanidade, não há razão que justifique a existência da Otan, motivo pelo qual os protestos em Lisboa têm como pauta a luta pela extinção do órgão."  
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=141800&id_secao=9 

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Siza na UTL

A UTL realizou uma cerimônia para homenagear o famoso arquiteto contemporâneo português, Alvaro Siza ou Siza Vieira (como o chamam por aqui), dando o título de doutor por honoris causa. Vi ele pessoalmente!!! (ai que emoção hehehe) Mas foi a maior muvuca pra conseguirmos entrar no minúsculo auditório que jamais iria comportar todos os estudantes aflitos por ver o arquiteto hehehe

terça-feira, 9 de novembro de 2010

"chapéu-de-chuva"

Esses dias descobri por que chama sombrinha ou guarda-chuva de chapéu-de-chuva - e faz todo sentido!!! - é por que é mesmo um chapéu, só protege a cabeça pois a chuva aqui é sempre de vento e nos molha por inteiro oO aaaaaaaah!!! preciso de uma capa-de-chuva!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Expo Arquitetura, Museu do Oriente

O que achei mesmo interessante na exposição nem foram os projetos malucos da galera, mas sim esse tipo de coletivo de arquitetos que atuam em diversos campos em Portugal, dando acessoria voluntária. Curti os trabalhos que desenvolveram... são bem cabíveis de ainda enquanto estudantes fazermos esse tipo de trabalho pq acredito que os emau's no Brasil têm feito ainda mais!!!


Mais "fixe" a parte em que falam do trabalho com a liberdade e desejos individuais, e tb que meio que encorajam as pessoas, ensinam de certa forma a pescar, não só dão o peixe, e parece que mostram a importância de um trabalho de revitalização em conjunto com os profissionais arquitetos. Parabéns ao grupo pela iniciativa, que sirvam de exemplo bom!